quinta-feira, 28 de abril de 2011

Deus e o Diabo na Terra do Sol - 1964

Cineasta: Glauber Rocha
Gênero: Drama
Origem: Brasil
Áudio: Pt-Br
Formato: Avi



Salve !! Vamos a estréia de um longa nacional no blog, e nada melhor que começarmos com Glauber Rocha, o mais renomado diretor brasileiro no mundo. Confesso que só assisti esse filme ontem, contudo pude compreender o quão repleto de simbolismo ele é, abrangendo uma crítica que vai das maquinas governamentais até a própria consciência de existência do nosso povo. Aliás fica ai o destaque do longa aos meus olhos, não é uma grande produção visual, passa longe disso, mas em termos filosóficos, contém um roteiro exageradamente cru, provocando cada sensação, até mesmo a repulsa por tanta miséria, ignorância e até mesmo descaso. Descaso seria a palavra certa ? Ou de caso pensado o sertão brasileiro foi manipulado para que daquele modo, poucos enriquecessem e controlassem o poder ? O fato é que por muito tempo o coronelismo dominou o nordeste, e isso em menor escala é vivo até hoje, o que valoriza ainda mais a crítica do de Glauber Rocha, que se mantém atual, e não apenas como mais uma página na história. 

Em termos cinematográficos, o filme pontuou o inicio do "Cinema Novo" no Brasil, esse novo jeito de fazer cinema propunha ser o reflexo da realidade, um veiculo que colocava a crítica a cima do entretenimento, resposta para a situação vigente. E para isso ele usou técnicas que incomodassem o espectador, afinal esse era o objetivo, ser pitoresco o suficiente para chamar atenção. A câmera que foi utilizada na mão do cinegrafista por exemplo, dava a sensação do espectador ser mais um componente do filme, daquele sertão dilacerado, eu diria até mesmo que Rocha tentou fugir de toda a estética comum de grandes produções, a montagem foi modificada, cheia de elipses, algumas borrando a imagem, e todas não tendo um plano continuo completo, salpicadas com uma trilha sonora ruidosa, ou em alguns momentos o completo silêncio, que consegue ser ainda mais perturbador. O engraçado é mexer tanto com o público em uma época que todos viviam de ilusões, reflexo do governo de Juscelino Kubitschek, um banho de agua fria nos alienados. 

O filme é dividido em três blocos, que mesmo cheio de fragmentos ainda são lineares. O primeiro apresenta a situação do protagonista, sua vida difícil sem muitas esperanças. O segundo mostra ele completamente jogado ao desespero da fé, fé em Deus, fé em vingança, fé em dias melhores, não importa, apenas cego por sua crença. A terceira é uma espécie de libertação, aonde no fim do filme o cantador, um espécie de voz narrativa que simboliza a crença do protagonista em todos os blocos, anuncia que "a Terra é do homem, não é de deus nem do diabo" e a metáfora tão utilizada durante o filme todo, falando a respeito do mar e do sertão se transforma em imagem, pregando a liberdade do personagem. 

Tocando um pouco mais a fundo na fé, eu falei acima sobre o coronelismo, mas não podemos ignorar a crítica a religião, a crença cega que o filme aborda. O povo absurdamente ignorante, necessita desesperadamente de um Deus, e seus santos milagreiros, um povo que sofre com a seca, com a falta de esperança, e se apega a uma divindade que um dia vai liberta-los de tanto sofrimento. E por muitos anos essa foi a unica explicação aceitável para o nosso povo, que cego de sofrimento foi escravizado por ideologias católicas, que os manipulavam facilmente para a permanência do poder da Igreja, e até mesmo para acordos políticos. Veja não estou criticando o Cristianismo ou algo do tipo, isso é um conceito de cada um, só estou colocando a minha interpretação sobre a visão de Glauber Rocha sobre a situação que ele abordou. Um ponto inclusive que marca isso, é a cena em que Antonio, "o matador de cangaceiros", é pago para eliminar o  beato Sebastião, que vinha manipulando a fé de muitas pessoas, incomodada pela perda de adeptos a Igreja manda Antonio atrás de Sebastião, isso resume sem muitas explicações aonde eu quis chegar. Por aqui paramos.

Foi tudo o que pude compreender, politica, religião, alienação, manipulação, pobreza, são os temas do filme do premiado diretor brasileiro Glauber Rocha, espero ter começado com o pé direito a minha analise de filmes nacionais no blog, e depois da paciência de ler todos os meus devaneios, só desejo que curtam um bom filme, ou melhor uma aula de história do Brasil.

Um comentário:

  1. Achei que fosse mais novo esse filme. anyway, vou assistir assim que puder.

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